As três letras que mais impactaram a nossa sociedade são sem dúvidas ‘www’. A internet chegou e de forma avassaladora transformou nossas formas de pensar, produzir, de existir… Mas esse texto aqui não é sobre o surgimento da internet não, hoje eu quero ir além de algumas reflexões já feitas e falar sobre como eu, você, todos nós estamos presos na nossa própria bolha virtual.

Não é de hoje que discutimos e nos assustamos sobre como os sites ~misteriosamente~ descobrem o que queremos e nos oferecem exatamente aquilo que “precisamos” comprar. Nos sentimentos perseguidos e a nossa privacidade, bem, ela não existe mais, principalmente quando falamos sobre algoritmos. Vivemos nesse ciberespaço onde nossos dados (localização, histórico de busca, preferências, ideologias…) são sugados e leiloados para sites que os utilizam para personalizarem tudo aquilo que nos desejam vender. Então fique atento:

“Se você não está pagando por alguma coisa, você não é o cliente; você é o produto à venda”. – ANDREW LEWIS

Bom, mas não observamos essa personalização apenas no que é ofertado para nós, cada vez mais as nossas redes sociais estão a nossa cara, mostrando exatamente aquilo que pensamos, concordamos e gostamos. Você agora deve estar lembrando porque sempre vê as fotos dos mesmos amigos (provavelmente os que você tem mais proximidade), porque no seu feed no facebook só aparecem matérias que se aproximam da sua posição ideológica e porque o Netflix e o Spotify sempre sabem exatamente o que você quer ver/ouvir. É isso. Bem-vindo à sua própria bolha virtual.

Se você já ouviu esse termo, não é novidade… Mas se não, eu te explico: esse termo, introduzido pelo jornalista Eli Pariser, define os algoritmos usados nas redes sociais que tendem a mostrar ao usuário apenas informações e opiniões com as quais ele concorde. Isso nos traz mais conforto, tende a deixar a navegação mais agradável, o que nos leva a ficar cada vez mais tempo online.

“O que pensamos em fazer é dar a cada pessoa no mundo o melhor jornal personalizado possível”. MARK ZUCKERBERG

Uau! Um jornal só com as notícias que eu quero ler, um feed só com as fotos que eu quero ver, o que tem de errado com isso, Liz? Hmmm, algumas coisas… Precisamos falar sobre alguns pontos das nossas bolhas. O primeiro é que nem sempre sabemos que estamos nela, temos a falsa sensação de que somos livres para escolher o que vamos ler ou o filme que vamos ver, mas elegemos isso dentro de um universo que já foi escolhido por um algoritmo. Ou seja, no fundo mesmo a gente nem optou por nada, nem mesmo por entrar na bolha.

“Quando ligamos o canal Fox News ou lemos o jornal The Nation, estamos fazendo uma escolha sobre o tipo de filtro que usamos para tentar entender o mundo. É um processo ativo: nós conseguimos perceber de que modo as inclinações dos editores moldam a nossa percepção, como quando usamos óculos com lentes coloridas. Mas não fazemos esse tipo de escolha quando usamos filtros personalizados. Eles vêm até nós – e, por serem a base dos lucros dos sites que os utilizam, será cada vez mais difícil evitá-los”. – ELI PARISER

Outro ponto, para mim o mais importante e perturbador, é que, quando estamos inconscientemente dentro de nossas bolhas, nem sabemos o que está fora dela porque isso tende a desaparecer. Ficamos presos à realidade construída a partir dos nossos gostos e nos alienamos sobre o que acontece no mundo. Com isso não temos contato com outras opiniões, pontos de vista, situações que vão nos fazer confrontar os nossos ideais e refletir sobre tudo isso.

“A democracia exige que nos baseemos em fatos compartilhados; no entanto, estão nos oferecendo universos distintos e paralelos”. ELI PARISER

Esses algoritmos que filtram tudo aquilo que vai chegar à bolha explicam muito do que vivemos hoje em dia. Podemos sem esforço relacionar esse fenômeno à era da desinformação que estamos vivendo. Se estamos em um universo que só nos alimenta com informações que se alinham ao nosso pensamento, estamos mais propensos a compartilhá-las, sendo elas verdadeiras ou não.

E como sair dessa bolha se as redes prezam cada vez mais pela personalização? O primeiro passo é ter a consciência de que estamos nesse lugar e a partir daí buscar meios de se informar além das redes sociais e da bolha virtual que estamos inseridos.

Importante destacar que não somos só nós usuários que estamos sujeitos aos perigos das bolhas, as empresas também estão. Mas, se eu tiver uma empresa? Como eu faço para atingir meus clientes dentro dessas bolhas? Bom, aí é um papo para um próximo artigo…

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As três letras que mais impactaram a nossa sociedade são sem dúvidas ‘www’. A internet chegou e de forma avassaladora transformou nossas formas de pensar, produzir, de existir… Mas esse texto aqui não é sobre o surgimento da internet não, hoje eu quero ir além de algumas reflexões já feitas e falar sobre como eu, você, todos nós estamos presos na nossa própria bolha virtual.

Não é de hoje que discutimos e nos assustamos sobre como os sites ~misteriosamente~ descobrem o que queremos e nos oferecem exatamente aquilo que “precisamos” comprar. Nos sentimentos perseguidos e a nossa privacidade, bem, ela não existe mais, principalmente quando falamos sobre algoritmos. Vivemos nesse ciberespaço onde nossos dados (localização, histórico de busca, preferências, ideologias…) são sugados e leiloados para sites que os utilizam para personalizarem tudo aquilo que nos desejam vender. Então fique atento:

“Se você não está pagando por alguma coisa, você não é o cliente; você é o produto à venda”. – ANDREW LEWIS

Bom, mas não observamos essa personalização apenas no que é ofertado para nós, cada vez mais as nossas redes sociais estão a nossa cara, mostrando exatamente aquilo que pensamos, concordamos e gostamos. Você agora deve estar lembrando porque sempre vê as fotos dos mesmos amigos (provavelmente os que você tem mais proximidade), porque no seu feed no facebook só aparecem matérias que se aproximam da sua posição ideológica e porque o Netflix e o Spotify sempre sabem exatamente o que você quer ver/ouvir. É isso. Bem-vindo à sua própria bolha virtual.

Se você já ouviu esse termo, não é novidade… Mas se não, eu te explico: esse termo, introduzido pelo jornalista Eli Pariser, define os algoritmos usados nas redes sociais que tendem a mostrar ao usuário apenas informações e opiniões com as quais ele concorde. Isso nos traz mais conforto, tende a deixar a navegação mais agradável, o que nos leva a ficar cada vez mais tempo online.

“O que pensamos em fazer é dar a cada pessoa no mundo o melhor jornal personalizado possível”. MARK ZUCKERBERG

Uau! Um jornal só com as notícias que eu quero ler, um feed só com as fotos que eu quero ver, o que tem de errado com isso, Liz? Hmmm, algumas coisas… Precisamos falar sobre alguns pontos das nossas bolhas. O primeiro é que nem sempre sabemos que estamos nela, temos a falsa sensação de que somos livres para escolher o que vamos ler ou o filme que vamos ver, mas elegemos isso dentro de um universo que já foi escolhido por um algoritmo. Ou seja, no fundo mesmo a gente nem optou por nada, nem mesmo por entrar na bolha.

“Quando ligamos o canal Fox News ou lemos o jornal The Nation, estamos fazendo uma escolha sobre o tipo de filtro que usamos para tentar entender o mundo. É um processo ativo: nós conseguimos perceber de que modo as inclinações dos editores moldam a nossa percepção, como quando usamos óculos com lentes coloridas. Mas não fazemos esse tipo de escolha quando usamos filtros personalizados. Eles vêm até nós – e, por serem a base dos lucros dos sites que os utilizam, será cada vez mais difícil evitá-los”. – ELI PARISER

Outro ponto, para mim o mais importante e perturbador, é que, quando estamos inconscientemente dentro de nossas bolhas, nem sabemos o que está fora dela porque isso tende a desaparecer. Ficamos presos à realidade construída a partir dos nossos gostos e nos alienamos sobre o que acontece no mundo. Com isso não temos contato com outras opiniões, pontos de vista, situações que vão nos fazer confrontar os nossos ideais e refletir sobre tudo isso.

“A democracia exige que nos baseemos em fatos compartilhados; no entanto, estão nos oferecendo universos distintos e paralelos”. ELI PARISER

Esses algoritmos que filtram tudo aquilo que vai chegar à bolha explicam muito do que vivemos hoje em dia. Podemos sem esforço relacionar esse fenômeno à era da desinformação que estamos vivendo. Se estamos em um universo que só nos alimenta com informações que se alinham ao nosso pensamento, estamos mais propensos a compartilhá-las, sendo elas verdadeiras ou não.

E como sair dessa bolha se as redes prezam cada vez mais pela personalização? O primeiro passo é ter a consciência de que estamos nesse lugar e a partir daí buscar meios de se informar além das redes sociais e da bolha virtual que estamos inseridos.

Importante destacar que não somos só nós usuários que estamos sujeitos aos perigos das bolhas, as empresas também estão. Mas, se eu tiver uma empresa? Como eu faço para atingir meus clientes dentro dessas bolhas? Bom, aí é um papo para um próximo artigo…

Sobre o autor: Letra A

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Comentários

2 Comentários

  1. Penélope maio 22, 2019 at 12:02 am - Reply

    Parabéns Liz, texto interessante que nos chama para uma boa e importante reflexão!

  2. Ana Maria Cavalcanti de Morais maio 23, 2019 at 12:51 pm - Reply

    A “bolha” um dia estourará para libertar o vazio em que se encontra os seres humanos. Alguns, como você, já está fazendo essa reflexão, tomando consciência que é preciso haver um equilíbrio entre “www.” e a real necessidade das relações concretas com os outros seres.
    Parabéns por tratar de um tema tão relevante para a sociedade atual.

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