Há algum tempo, ou melhor, desde 2008 por uma decisão do Conar (Conselho Nacional de Regulamentação de Propaganda), não é permitido nos comerciais de bebida alcóolica o apelo à sensualidade feminina como conteúdo principal da mensagem. Então, a partir dos idos da última década, não se vê com frequência publicidade de cerveja que reforça descaradamente a imagem da mulher como objeto sexual. Hoje é raro o uso de figuras femininas quase nuas ou envolventes com seus peitos fartos, redondos e siliconados que pululam dos decotes.

Foi um recente anúncio “pudico” de bebidas na TV que me despertou para uma reflexão cartesiana. Será que as indústrias de cerveja deixaram de lucrar por não mais trabalharem o imaginário sexual de quem quer que seja?! O fato de antes utilizarem o corpo feminino como moeda de venda influenciava diretamente na vontade de beber mais cerveja? A nudez, então, estimula mesmo a bebedeira?

Curiosa, fui buscar informações sobre o universo capitalista da “loira gelada”.  Pasmem! Os empresários do ramo não sofreram qualquer prejuízo financeiro após a decisão do Conar há quase 10 anos, ao contrário, nos últimos cinco anos as indústrias de cerveja tiveram lucros financeiros estratosféricos. A AMBEV por exemplo, fundada em 1999 a partir da fusão das gigantes Brahma e Antarctica, teve lucro líquido aumentado em 12,5% no quarto trimestre de 2016, colocando um dos donos da empresa, Jorge Paulo Lemann, de 76 anos, como o homem mais rico do Brasil pelo quarto ano consecutivo. Ele acumula uma fortuna de nada menos que R$ 103 bilhões. Os outros sócios da empresa também encabeçam a lista da revista Forbes, dos grandes bilionários mundiais.

Diante da constatação, e sem falso moralismo, sem radicalismos, sem feminismo exacerbado e sem pretensões, fica claro que o uso da imagem da mulher de forma pejorativa é algo desnecessário, não influencia em absolutamente nada na receita financeira das fabricantes de bebida alcoólica. E pensar que por tantos anos tivemos o “filme queimado”… A imagem feminina foi distorcida, reforçada como carne de açougue a ser abocanhada pelo público masculino e o pior, sem intervenções de instituições representativas, por décadas.

Desejo que a indústria Legal de qualquer produto, seja de bebidas ou não, venda, venda muito, enriqueça, contribua para a economia girar e ajude o Brasil a desenvolver-se cada dia mais. Mas isto não pode ser a qualquer custo. A imagem das pessoas, independentemente de gênero, deve ser preservada,  respeitada e estar acima de qualquer valor financeiro. Finalmente o mundo tem acordado para isto, a grande maioria das mulheres troca cada vez mais a “cantada barata” pelo lugar da deferência.

Vida que segue…

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Há algum tempo, ou melhor, desde 2008 por uma decisão do Conar (Conselho Nacional de Regulamentação de Propaganda), não é permitido nos comerciais de bebida alcóolica o apelo à sensualidade feminina como conteúdo principal da mensagem. Então, a partir dos idos da última década, não se vê com frequência publicidade de cerveja que reforça descaradamente a imagem da mulher como objeto sexual. Hoje é raro o uso de figuras femininas quase nuas ou envolventes com seus peitos fartos, redondos e siliconados que pululam dos decotes.

Foi um recente anúncio “pudico” de bebidas na TV que me despertou para uma reflexão cartesiana. Será que as indústrias de cerveja deixaram de lucrar por não mais trabalharem o imaginário sexual de quem quer que seja?! O fato de antes utilizarem o corpo feminino como moeda de venda influenciava diretamente na vontade de beber mais cerveja? A nudez, então, estimula mesmo a bebedeira?

Curiosa, fui buscar informações sobre o universo capitalista da “loira gelada”.  Pasmem! Os empresários do ramo não sofreram qualquer prejuízo financeiro após a decisão do Conar há quase 10 anos, ao contrário, nos últimos cinco anos as indústrias de cerveja tiveram lucros financeiros estratosféricos. A AMBEV por exemplo, fundada em 1999 a partir da fusão das gigantes Brahma e Antarctica, teve lucro líquido aumentado em 12,5% no quarto trimestre de 2016, colocando um dos donos da empresa, Jorge Paulo Lemann, de 76 anos, como o homem mais rico do Brasil pelo quarto ano consecutivo. Ele acumula uma fortuna de nada menos que R$ 103 bilhões. Os outros sócios da empresa também encabeçam a lista da revista Forbes, dos grandes bilionários mundiais.

Diante da constatação, e sem falso moralismo, sem radicalismos, sem feminismo exacerbado e sem pretensões, fica claro que o uso da imagem da mulher de forma pejorativa é algo desnecessário, não influencia em absolutamente nada na receita financeira das fabricantes de bebida alcoólica. E pensar que por tantos anos tivemos o “filme queimado”… A imagem feminina foi distorcida, reforçada como carne de açougue a ser abocanhada pelo público masculino e o pior, sem intervenções de instituições representativas, por décadas.

Desejo que a indústria Legal de qualquer produto, seja de bebidas ou não, venda, venda muito, enriqueça, contribua para a economia girar e ajude o Brasil a desenvolver-se cada dia mais. Mas isto não pode ser a qualquer custo. A imagem das pessoas, independentemente de gênero, deve ser preservada,  respeitada e estar acima de qualquer valor financeiro. Finalmente o mundo tem acordado para isto, a grande maioria das mulheres troca cada vez mais a “cantada barata” pelo lugar da deferência.

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Comentários

3 Comentários

  1. Priscila maio 3, 2017 at 3:30 pm - Reply

    Interessante constatar que o apelo sexual pelo viés da mulher objeto não influencia as boas vendas da cerveja. Essa eu gostei e desceu redondo.

    • Ana Cristina França maio 3, 2017 at 3:45 pm - Reply

      Adorei! “Desceu redondo” kkkkkkkkkkk

  2. Elisa Dias Baptista maio 3, 2017 at 4:40 pm - Reply

    Essa questão Ana é bem interessante. Na verdade eles pararam com o abuso sexual explícito, mas continuam comendo pelas beiradas. Belas, gostosas e sensuais, as mulheres, mesmo vestidas, ainda ajudam, e muito, nas vendas de cerveja. Também é verdade que elas estão sempre bem acompanhadas, mesmo que o cara não seja famoso, ele, com certeza, é jovem, igualmente gostoso e bonitão. Afinal não é só homem que gosta de beber. Acho que os fabricantes seguem a decisão do Conar em parte, o apelo à sensualidade feminina continua. Hoje a propaganda também é mais conceitual, ligar vulgaridade a cerveja não dá mais ibope. De qualquer jeito é bom saber que, pelo menos nesse caso, baixaria trocada por algo mais elegante, não prejudicou as vendas. Agora, o que seria bacana mesmo, era a proibição de comercias de todas as bebidas alcoólicas. O alcoolismo é terceira maior doença no país e queima o filme de muita gente em todas as classes sociais.

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