Com o endividamento das famílias brasileiras atingindo 79,5% em setembro de 2025, conforme dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o parcelamento via Pix surge como uma alternativa tentadora para não perder as promoções da Black Friday. A modalidade, que permite dividir pagamentos diretamente pelo aplicativo bancário, tem ganhado adeptos, mas especialistas alertam: sem controle, o recurso pode comprometer o orçamento doméstico e se tornar uma nova armadilha financeira.
Franz Petrucelli, professor de Administração da Wyden, chama atenção para a falsa sensação de liquidez que o parcelamento via Pix pode transmitir. Ele explica que o serviço não é gratuito e opera de maneira semelhante a um empréstimo pessoal ou financiamento.
“O principal risco para quem acredita que o Pix parcelado não cobra juros é o endividamento. As empresas que oferecem essa modalidade de pagamento, como as fintechs, atuam como intermediárias. Elas pagam o valor total da compra ao lojista, e o consumidor se compromete a pagar as parcelas para essa empresa. É nesse processo que os juros e taxas são aplicados. O endividamento ocorre quando você assume dívidas que não consegue mais pagar”, diz o contador e mestre em Administração.
O professor Alisson Batista, do curso de Ciências Contábeis da Estácio, reforça que qualquer forma de parcelamento requer atenção para não se transformar em um problema financeiro.
“Avaliar se as receitas serão suficientes para liquidar todas as pendências financeiras é essencial. Caso se possua o recurso para pagamento à vista, é interessante negociar um desconto”, orienta Batista.
Segundo ele, os cuidados devem ser os mesmos tomados com compras com cartão de crédito ou crediário. “Caso a pessoa não tenha certeza de que o recurso ficará disponível para pagar o Pix parcelado, ela não deve contratar. Os riscos são os mesmos de ficar inadimplente com o cartão de crédito ou cheque especial, podendo incorrer em juros altos e outras restrições financeiras”, reforça.
Dicas para usar o Pix parcelado com segurança
Para quem considera usar o Pix parcelado, o professor Alisson lista algumas recomendações práticas:
- Avalie a renda mensal: verifique se ela cobre não apenas as parcelas, mas também as despesas básicas (moradia, alimentação, transporte etc.).
- Organize o calendário de pagamentos: confira as datas de débito para evitar acúmulo de vencimentos no mesmo período.
- Prefira pagar à vista: sempre que possível, negocie descontos em vez de parcelar.
- Compare o custo total: pondere se outras formas de crédito, como carnê ou financiamento tradicional, saem mais baratas.
- Evite o parcelamento se houver incerteza: se o orçamento estiver apertado, é melhor não recorrer à modalidade, pois os riscos de inadimplência são semelhantes aos do cartão de crédito e cheque especial.
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