Impulsionadas pela popularização nas redes sociais, as chamadas “canetas emagrecedoras” movimentaram cerca de R$10 bilhões em 2025. O número é equivalente a aproximadamente 4% de todo o mercado de varejo farmacêutico brasileiro, segundo dados do relatório Itaú BBA, com projeção de que o valor dobre e atinja R$20 bilhões em 2026, evidenciando a consolidação desses medicamentos como um dos principais fenômenos recentes do setor.
Desenvolvidas originalmente para o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, essas terapias passaram a ser amplamente associadas a um ideal estético de emagrecimento rápido, o que tem ampliado seu uso para além das indicações clínicas. Esse crescimento levanta um alerta entre profissionais de saúde quanto aos riscos do consumo das canetas emagrecedoras sem prescrição e sem acompanhamento adequado, sobretudo entre pessoas que não possuem diagnóstico de obesidade ou comorbidades associadas.
De acordo com a nutricionista Eva Andrade, docente do curso de Nutrição da Estácio, as chamadas “canetinhas para emagrecer” pertencem, em sua maioria, à classe dos agonistas do GLP-1, desenvolvidos para auxiliar no controle glicêmico. “Esses medicamentos atuam aumentando a sensação de saciedade, reduzindo a fome e retardando o esvaziamento gástrico. Como consequência, há diminuição da ingestão alimentar e possível perda de peso, desde que o uso esteja associado a mudanças consistentes no estilo de vida”, explica.
Apesar dos resultados observados em alguns pacientes, a especialista reforça que o tratamento com as canetas emagrecedoras não é indicado de forma indiscriminada e nem deve ter finalidade exclusivamente estética. “A prescrição deve considerar critérios clínicos bem definidos, como obesidade ou sobrepeso associado a comorbidades. Trata-se de um tratamento medicamentoso que exige acompanhamento contínuo e individualizado”, alerta.
Entre os principais riscos do uso sem orientação profissional estão a perda excessiva de massa muscular, deficiências nutricionais, desidratação e efeitos gastrointestinais intensos, como náuseas e vômitos persistentes. Segundo Eva Andrade, a redução do apetite sem um plano alimentar estruturado pode comprometer a ingestão adequada de nutrientes e gerar dependência do medicamento para o controle do peso.
Outro ponto de atenção é o chamado efeito rebote. “Quando o medicamento é suspenso sem que novos hábitos tenham sido consolidados, o apetite tende a retornar, aumentando significativamente o risco de recuperação do peso perdido”, explica. Sinais como fraqueza intensa, tonturas frequentes, queda de cabelo, perda de peso acelerada, alterações de humor e dificuldade para se alimentar são indicativos de que o tratamento pode estar prejudicando a saúde.
Saúde mental também entra na balança
Além dos impactos físicos, o uso indiscriminado das canetas emagrecedoras pode gerar efeitos importantes sobre a saúde psicológica. Para o psicólogo Zacarias Ramalho, docente do curso de Psicologia da Estácio, o medicamento não deve ser encarado como solução imediata. “É fundamental que o paciente desenvolva uma percepção corporal realista. A expectativa de que o corpo vai mudar automaticamente pode gerar frustrações e distorções na relação com a própria imagem”, pontua.
Quando os resultados não correspondem às expectativas criadas, sentimentos como frustração, culpa e insatisfação corporal podem surgir. “Dependendo de como o indivíduo vivencia esse processo, o não alcance do peso idealizado pode provocar sofrimento emocional”, explica.
Para os especialistas, alinhar saúde física e mental é essencial no processo de perda de peso. “Quando há uma melhor distribuição dos recursos biológicos, emocionais e comportamentais, o indivíduo consegue lidar de forma mais equilibrada com os desafios do emagrecimento”, conclui o psicólogo.
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