Muita gente acredita que, para falar com a imprensa, basta dominar o assunto e ter uma boa oratória. Mas, na prática, isso está longe de ser verdade.

Você provavelmente já assistiu a alguma entrevista em que não entendeu muito bem do que se tratava, porque as respostas do entrevistado eram confusas, extremamente técnicas ou simplesmente sem sentido.

O que acontece é que, no universo corporativo, é muito comum encontrar profissionais tecnicamente qualificados, mas que enfrentam dificuldades na hora de transformar conhecimento em mensagens claras, objetivas e interessantes para o público.

Por outro lado, existem profissionais que se comunicam com facilidade e assertividade – às vezes, até sem dominar completamente o assunto. Essas pessoas entendem que conhecer um tema não significa, necessariamente, conseguir se comunicar de forma estratégica.

💡 Então, antes de mais nada, deixa eu te contar um segredo: uma boa entrevista não depende apenas de conhecimento técnico. Ela exige clareza, preparação e consciência de narrativa.

Afinal, entrevistas não são apenas momentos de exposição na mídia. Elas também são espaços de construção de reputação, autoridade e percepção pública.

excesso de informação / falar com a imprensa

Por isso, entender como falar com a imprensa vai muito além de apenas saber responder perguntas. Esse é o espaço ideal para construir confiança, fortalecer a credibilidade e transformar cada interação com a mídia em uma oportunidade de posicionamento.

— Mas como fazer isso na prática, Letra A?

No artigo de hoje, reunimos cinco táticas para falar com a imprensa de forma mais estratégica e fortalecer a percepção da sua marca diante do público.

Tática 1: entenda qual é a pauta antes de falar com a imprensa

Imagine a seguinte situação: um porta-voz aceita uma entrevista acreditando que vai falar sobre uma inovação da própria empresa. Mas, quando a conversa começa, percebe que o foco da pauta era outro: crise no setor, impacto econômico ou até uma situação específica envolvendo o mercado.

Resultado? Respostas desalinhadas, insegurança e uma entrevista que poderia ter sido muito melhor aproveitada. Aliás, a imprensa percebe isso de cara – e o público, também.

Antes de falar com a imprensa, existe uma atitude simples que já muda bastante a forma como a entrevista acontece: entender qual é a pauta. Pode parecer óbvio, mas isso vai muito além de saber qual é o assunto.

Ou seja, é necessário compreender o contexto da entrevista, o foco que o jornalista pretende abordar e até o momento em que aquele assunto está sendo discutido.

Mas, olha, muita gente associa a preparação a decorar respostas ou tentar prever perguntas difíceis; e não é disso que estamos falando.

Se preparar, nesse caso, significa chegar na entrevista sabendo qual é o cenário da conversa. Afinal, ela pode ter diferentes abordagens – mais técnica, humana ou institucional, por exemplo. Então, entender esse direcionamento ajuda a organizar melhor as ideias.

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Também vale prestar atenção no que motivou aquela pauta. Isto é, se existe alguma pesquisa recente, um evento importante ou um assunto que ganhou força nas redes ou nos jornais. Dessa forma, a fonte pode trazer contribuições que realmente façam sentido para a matéria e, claro, para o público.

Outra dica simples, mas muito útil, é alinhar expectativas logo no começo. Perguntar qual será o foco da reportagem ou quais temas devem aparecer na entrevista não é um problema. Pelo contrário: isso ajuda a tornar a conversa mais fluida e evita ruídos dos dois lados.

Tática 2: transforme linguagem técnica em comunicação acessível

Aqui, é importante entender que nem sempre a linguagem técnica e formal é o melhor caminho. Até porque, na comunicação, o mais importante é que a mensagem seja recebida e compreendida pelo público, sem excessos.

💡 Lembre-se: a imprensa não fala apenas com especialistas. Ela fala com consumidores e com o público em geral.

Ou seja, se o seu público-alvo não consegue captar a sua mensagem, é um sinal claro de que há um problema. E, como porta-voz, sua missão é justamente comunicar com clareza e de forma acessível.

Na verdade, quem domina um assunto não precisa enfeitar a fala e consegue traduzir informações complexas de forma simples – até para uma criança, se necessário.

Por isso, alguns hábitos devem ser evitados:

  • siglas pouco conhecidas e termos muito específicos;
  • respostas longas ou muito abrangentes;
  • explicações redundantes que não chegam a nenhuma conclusão.

A comunicação assertiva está longe de ser dispensável. Pelo contrário: ela pode ser a chave para gerar mais credibilidade e notoriedade para a sua empresa. Afinal, comunicar também é saber equilibrar palavras, mensagem e linguagem.

Quando a comunicação não funciona, a informação perde força e, consequentemente, a percepção sobre a marca também. E a pergunta que fica é: quanto poderia ter sido evitado com uma estratégia de comunicação mais eficiente?

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Tática 3: Defina suas mensagens principais

Uma entrevista sem direcionamento costuma seguir um caminho perigoso: respostas longas, informações desconectadas e mensagens que se perdem no meio da conversa.

Então, antes de falar com a imprensa, vale se fazer umas perguntinhas essenciais:

  • Quais são as ideias que realmente precisam aparecer nesta entrevista? 🤔
  • O que é mais importante que o público compreenda sobre este assunto? 🤔
  • Quais informações ajudam a reforçar a percepção que a marca quer construir neste momento? 🤔

Isso não significa, contudo, transformar a comunicação em algo engessado ou cheio de frases decoradas. Na prática, ter mensagens-chave (e não falas prontas) ajuda justamente a tornar a fala mais clara, objetiva e coerente, sem soar artificial

Nesse sentido, também é importante entender que nem toda informação tem o mesmo peso. Em muitos casos, tentar falar “de tudo um pouco” acaba enfraquecendo a mensagem principal. Por isso, definir prioridades ajuda a manter o foco no que realmente importa para aquela pauta, contexto ou oportunidade de comunicação.

Tática 4: Responda com objetividade

Se você chegou até aqui, já entendeu que falar com a imprensa exige mais do que apenas responder perguntas – exige preparação.

Afinal, a fala do porta-voz representa a marca como um todo. Portanto, é fundamental ter clareza, estratégia e cuidado em cada resposta.

A boa notícia é que existem técnicas que podem te ajudar a organizar melhor as mensagens, responder com mais objetividade e se posicionar com mais segurança diante da imprensa.

Pense, por exemplo, em entrevistas ao vivo: muitas vezes, o espaço de fala é curto. Aliás, mesmo quando o conteúdo é gravado e editado, apenas pequenos trechos da resposta costumam ser utilizados na reportagem. Por esse motivo, quanto mais direta for a mensagem, maiores são as chances de ela chegar ao público da forma correta.

Além disso, existe um erro bastante comum que merece atenção: a “enrolação”. Respostas distantes da pergunta não agregam valor à marca e podem, inclusive, transmitir falta de preparo, insegurança e até comprometer a credibilidade do porta-voz.

Muitos profissionais se perdem exatamente nesse ponto. Isto é, ao serem questionados, oferecem respostas extensas e pouco direcionadas. Com isso, a mensagem perde força – e a atenção de quem escuta também.

como falar com a imprensa

Tática 5: Lembre que falar com a imprensa também é sobre reputação

Quando um porta-voz concede uma entrevista, o público não analisa apenas o conteúdo da resposta. Ele observa postura, tom de voz, segurança, transparência e, sobretudo, a forma como aquela pessoa reage diante de perguntas mais difíceis.

💡 Ou seja, a entrevista é um todo que comunica percepção.

É por isso que duas pessoas podem falar exatamente sobre o mesmo assunto e, ainda assim, transmitir sensações completamente diferentes para quem está assistindo.

Isso acontece porque comunicar não envolve apenas informação; envolve comunicação não-verbal. E, muitas vezes, são os pequenos detalhes que fazem toda a diferença;

  • respostas evasivas;
  • nervosismo;
  • falas muito promocionais;
  • dificuldade em assumir posicionamentos;
  • falta de objetividade.

Tudo isso influencia diretamente a forma como o público percebe uma marca e seus porta-vozes.

No fim das contas, uma boa entrevista não acontece por acaso. Ela é resultado de preparo, consciência de narrativa e capacidade de transformar conhecimento em mensagens que realmente fazem sentido para o público.

E se a sua empresa quer preparar melhor seus porta-vozes e construir uma comunicação mais segura, relevante e estratégica diante da mídia, a Letra A pode ajudar.

Vamos conversar? Manda um “Oi” para a gente e, juntos, podemos transformar a mensagem da sua marca, em informações claras e estratégicas.

 

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Sobre o autor: Gabriely Garcia

Gabriely Garcia é estudante de Jornalismo na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e estagiária de Relações Públicas na Letra A. Atua no monitoramento estratégico da mídia, sendo responsável pelo clipping e o acompanhamento do posicionamento de marcas na imprensa. Gosta de transformar temas complexos em conversas acessíveis, especialmente quando envolvem ciência, cultura pop e universo digital.

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