Um período de descanso e lazer, as férias do trabalho nem sempre representam um momento de relaxamento para algumas pessoas. Pelo contrário, podem até se transformar em motivo de desconforto emocional. A quebra de rotina, a pressão por aproveitar o tempo livre ou as cobranças internas por produtividade e diversão podem gerar sintomas de ansiedade e a Psicologia explica o porquê.
De acordo com a mestre em Psicologia, Astrid Sharon, diversos fatores podem estar envolvidos. “A ansiedade pode surgir quando o indivíduo experimenta uma diminuição no controle percebido sobre as situações, o que é comum quando a rotina é interrompida. Embora por vezes exaustiva, é essa rotina que oferece uma estrutura previsível que regula o comportamento e as emoções, e quando isso é suspenso, nas férias ou em outro momento, pessoas com maior sensibilidade à imprevisibilidade podem experimentar sintomas ansiosos”, detalha a profissional.
Somado a isso, a culpa por descansar – recorrente em pessoas que “internalizaram valores sociais que associam descanso à preguiça ou improdutividade” – também pode estar associada. “Essa lógica é comum em contextos marcados por uma cultura de desempenho, em que o valor pessoal está frequentemente atrelado à eficiência e entrega constante. Quando somado à autocobrança exarcebada, pode ser um preditor de transtornos de ansiedade e depressão”, alerta a especialista.
Astrid aponta que em momentos de pausa, essa autocobrança pode se voltar contra o próprio descanso: “a pessoa sente que deveria estar aproveitando melhor, se organizando mais ou sendo ‘mais feliz’, o que gera frustração e tensão”, observa a profissional, que também é coordenadora do curso de Psicologia da Estácio.
Como aproveitar melhor o momento de descanso
Para viver o período de férias com mais presença e menos pressão, a psicóloga orienta algumas estratégias que podem ajudar.
- Permitir-se pausar sem culpa: reconhecer que o descanso é uma necessidade humana — e não um privilégio ou um prêmio — ajuda a reduzir sentimentos de culpa associados ao não estar “produzindo”. Lembrar que o lazer e o ócio são componentes legítimos da saúde mental pode auxiliar nesse reposicionamento.
- Reduzir expectativas irreais: idealizar as férias como um tempo perfeito, cheio de experiências marcantes e totalmente livre de incômodos pode levar à frustração. Cultivar uma atitude mais realista e gentil pode tornar o tempo de descanso mais leve e autêntico.
- Estabelecer um ritmo próprio: algumas pessoas se sentem melhor com uma rotina mais estruturada, enquanto outras preferem mais liberdade. Observar o que funciona melhor para si e adaptar o ritmo das férias às próprias necessidades — e não a padrões externos — contribui para uma vivência mais satisfatória.
- Praticar a atenção ao momento presente: estar consciente das experiências conforme elas acontecem, sem pressa ou julgamento, ajuda a diminuir a ansiedade e a aumentar o bem-estar. Isso pode ser feito por meio de atividades simples como caminhar com atenção, saborear uma refeição com calma ou dedicar-se integralmente a algo prazeroso.
- Cultivar a autocompaixão: em vez de se criticar por “não estar aproveitando como deveria”, exercitar uma atitude de compreensão diante das próprias limitações e emoções pode transformar o descanso em um espaço de cuidado real.
Quando é hora de procurar ajuda profissional?
A psicóloga também alerta para sinais de quando um possível transtorno de ansiedade pode necessitar de ajuda profissional. Os sinais incluem sintomas físicos, como taquicardia, tensão muscular, insônia, fadiga, sudorese e dores de cabeça frequentes; sintomas cognitivos como pensamentos intrusivos, dificuldade de concentração, antecipação negativa e sensação constante de ameaça ou urgência e sintomas comportamentais: evitação de situações sociais ou de lazer, irritabilidade, hiperatividade ou dificuldade de relaxar mesmo em ambientes propícios.
“Quando esses sintomas persistem por semanas, causam sofrimento ou comprometem o funcionamento social, familiar ou profissional, é recomendável buscar avaliação de um profissional de saúde mental”, adverte Astrid.
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