O calor extremo já preocupa profissionais de saúde que acompanham gestantes e recém-nascidos. No Brasil, 89% dos especialistas ouvidos em uma pesquisa encomendada pela organização britânica Wellcome afirmam estar preocupados com os impactos das altas temperaturas sobre os bebês, enquanto 77% acreditam que os riscos para mães e crianças devem aumentar nos próximos cinco anos.
No RN, o cenário exige atenção redobrada com a proximidade do verão. Segundo estimativa da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn), as temperaturas podem ficar entre 1 °C e 2,5 °C acima da média em determinados períodos do verão de 2027, principalmente em janeiro e fevereiro.
Na capital, as máximas podem chegar a 33 °C ou 34 °C, enquanto regiões do interior podem registrar até 39 °C, e especialistas atribuem os números ao fenômeno Super El Niño. Assim, o presidente da Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Rio Grande do Norte (SOGORN), Robinson Dias, reforça a importância de orientar a sociedade sobre os cuidados necessários com uma gestação durante os períodos de calor intenso.
“É fundamental que gestantes e puérperas redobrem a atenção à saúde nos dias de calor intenso. É recomendado manter uma boa hidratação ao longo do dia, evitar a exposição direta ao sol nos horários mais quentes e priorizar ambientes frescos e ventilados. Também é importante evitar esforços físicos intensos durante os períodos de temperaturas elevadas, como forma de reduzir os riscos associados ao calor”, orienta o profissional de saúde.
Além disso, as mudanças fisiológicas que ocorrem durante a gravidez podem tornar as gestantes mais vulneráveis aos efeitos do calor extremo. A exposição prolongada a altas temperaturas pode favorecer a desidratação e está associada a complicações gestacionais, incluindo o aumento do risco de parto prematuro, conforme apontam estudos científicos.
“A intensidade dos efeitos da exposição às altas temperaturas varia de acordo com as condições de exposição e as particularidades de cada gestação, reforçando a importância da prevenção e do acompanhamento pré-natal”, explica Robinson Dias.
Alimentação saudável pode ser uma aliada
Para amenizar os efeitos das altas temperaturas, durante a gravidez ou não, Eva Andrade, docente de Nutrição da Estácio, recomenda priorizar alimentos ricos em água e manter a hidratação ao longo do dia. “Além de beber água regularmente, vale investir em frutas com alto teor de água e chás gelados sem açúcar. Também é possível aromatizar a água com hortelã, tornando o consumo mais agradável”, explica a professora.
A nutricionista alerta ainda que a sede não é o único sinal de que o organismo precisa de água. Intestino preso, pele seca, cansaço e dor de cabeça também podem estar associados à desidratação. “É importante observar os sinais do corpo e não esperar sentir sede para se hidratar. O inchaço também pode ocorrer, mas tem diferentes causas e não deve ser interpretado isoladamente como sinal de falta de água”, destaca.
Outro cuidado é evitar alimentos gordurosos e frituras, especialmente nos dias mais quentes ou antes da prática de atividades físicas. “Esses alimentos podem tornar a digestão mais lenta e aumentar a sensação de desconforto, principalmente quando o corpo já está exposto ao calor. Preparações muito salgadas também merecem atenção, pois o excesso de sódio pode favorecer a retenção de líquidos”, finaliza a especialista.
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