De acordo com dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional de 2025, do Ministério da Saúde, o Rio Grande do Norte possui 42% da população com algum grau de obesidade, o que coloca o estado em segundo lugar na projeção nacional. A condição pode aumentar o risco de doenças cardiovasculares, como hipertensão, infarto e acidente vascular cerebral (AVC), quadros responsáveis por 41,4% das mortes de quem está acima do peso.
Os dados são da Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio Grande do Sul (SOCERGS), único estado a superar o RN no ranking, e reforçam a importância do tratamento do excesso de peso como um aliado na prevenção das patologias cardíacas. Atualmente, as principais estratégias terapêuticas utilizadas para isso são as chamadas canetas emagrecedoras, como a semaglutida (Ozempic) e a tirzepatida (Mounjaro).
Populares, as canetas vão passar a ser oferecidas pelo Sistema Único de Saúde para casos em que a obesidade atrapalha a cura de doenças mais graves. Neste cenário, Eva Andrade, docente de Nutrição da Estácio, reforça que os produtos não são medicamentos indicados simplesmente para fins estéticos.
“Eles fazem parte de uma estratégia terapêutica para uma doença crônica e precisam ser prescritos e acompanhados por profissionais de saúde”, explica a nutricionista. Segundo Eva Andrade, as canetas atuam em mecanismos relacionados à fome, à saciedade e ao controle da ingestão alimentar, contribuindo para a redução do consumo de alimentos em grande volume e, consequentemente, para a perda de peso.
Somado a isso, esses medicamentos também podem produzir mudanças metabólicas importantes que auxiliam na redução de eventos cardiovasculares. “Para a semaglutida, por exemplo, foram feitos estudos clínicos que demonstraram redução de eventos cardiovasculares em determinados grupos de pacientes de alto risco. É importante, porém, não generalizar esses resultados para todas as pessoas que utilizam essas medicações”.
A nutricionista reforça que o tratamento da obesidade vai além do uso de medicamentos e deve incluir alimentação equilibrada, atividade física regular, sono adequado e acompanhamento médico e nutricional. Segundo Eva, a combinação dessas estratégias contribui também para a preservação da massa muscular, a adequação da ingestão de nutrientes e a construção de hábitos sustentáveis.
“O acompanhamento com um profissional também é fundamental para avaliar resultados, ajustar o tratamento e identificar possíveis efeitos adversos”, pontua.
Impactos da obesidade no corpo
A obesidade pode provocar alterações metabólicas que comprometem a saúde cardiovascular. “Ela pode favorecer o aumento da pressão arterial, alterações no colesterol e nos triglicerídeos, resistência à insulina e diabetes tipo 2, além de um estado de inflamação crônica no organismo. Em conjunto, esses fatores aumentam o risco de problemas cardiovasculares”.
Nesse contexto, a redução do peso, mesmo que moderada, pode trazer benefícios importantes à saúde. A nutricionista destaca que, além da diminuição dos números na balança, o tratamento deve priorizar o controle de fatores de risco e a melhoria da qualidade de vida. “A redução de peso pode ajudar a reduzir a pressão arterial, melhorar o controle da glicose, diminuir triglicerídeos e melhorar outros marcadores metabólicos”.
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