É quase impossível rolar o feed de uma rede social sem se deparar com algum conteúdo que inclua os termos guarda-chuvas das gerações: baby boomers, geração X, millennials e gen Z…e por aí vai.

E isso tem um motivo: é bem prático tentar explicar comportamentos e, principalmente, decisões de compra com base apenas no ano de nascimento.

Afinal, classificar pessoas em caixinhas dá a falsa sensação de que a comunicação geracional fica mais fácil e previsível, não é? 😅

Só que, na vida real, as pessoas não funcionam assim. Elas são atravessadas por culturas, classes econômicas, momentos de vida e repertório – e tudo isso se soma em uma complexidade e acaba pesando muito mais do que um rótulo etário.

Aqui, a gente vai falar um pouco mais sobre como compreender todo esse contexto para dialogar com diferentes gerações. Bora lá!

Por que ainda falamos com gerações como rótulos

Os termos que dão nome às gerações surgiram quando o sociólogo Karl Mannheim identificou padrões de comportamento entre pessoas de uma mesma faixa etária. 

Isso se deu, de acordo com ele, devido ao contexto histórico que elas compartilhavam entre si – o que desencadeava experiências de vida bem parecidas.

E o marketing, é claro, abraçou isso com todas as forças. Foi aí que o marketing passou a aplicar os comportamentos geracionais como atalhos estratégicos para definir linguagem, canal, estética e outros detalhes de campanhas publicitárias.

O problema é que, enquanto o mercado seguiu usando essas categorias para estabelecer uma comunicação geracional, a realidade ficou muito mais complexa. Hoje, uma pessoa de 50 anos pode ser usuária do TikTok, enquanto alguém de 20 pode preferir conteúdos mais densos. 

Ou seja, os comportamentos (em especial os digitais) passaram a atravessar as gerações, misturando referências, contextos sociais e formas de consumir conteúdo.

E, bem, só por isso a gente já consegue entender o porquê de não ser mais tão estratégico assim classificar o seu público com base em caixinhas geracionais, certo? 

Então, podemos concordar: tentar simplificar o que, na prática, é bastante diverso se torna uma lógica frágil diante de um mundo que, além de super conectado, também é culturalmente cruzado.

Os riscos dos estereótipos geracionais na comunicação

E é falando em lógica frágil que fica fácil entender o que acontece quando as marcas acabam se apoiando demais em rótulos para construir uma comunicação geracional. 

Porque, veja bem, as más consequências dessa atitude são muitas – e a primeira é que a mensagem se torna genérica. Até porque se uma empresa tenta falar com “todo mundo daquela idade”, a comunicação acaba não falando com ninguém em específico.

Além disso, esses atalhos quase sempre escorregam para o caricato. É nesse ponto que a comunicação começa a soar forçada e exagerada, como se todo jovem fosse “descolado” e toda pessoa mais velha fosse “desatualizada”. 

😵‍💫 E, convenhamos, ninguém gosta de se sentir reduzido a um estereótipo.

Outro ponto crítico é o desalinhamento entre discurso e experiência – ou seja, aquilo que acontece quando a marca promete algo baseado em um rótulo, mas entrega outra coisa na prática. E, aí, a confiança se quebra. 

gerações

Sem contar que, ao olhar para as gerações como blocos homogêneos, a empresa invisibiliza diferenças importantíssimas, como diversidade cultural, social, econômica e até emocional dentro de um mesmo grupo etário. 

Ou seja, a tentativa de segmentar o público acontece de um jeito raso, o que é quase pior do que não segmentar.

O que realmente conecta as pessoas

É justamente por isso que precisamos mudar essa perspectiva quando falamos de comunicação geracional. 

Afinal, pessoas não se conectam somente pela idade, não é? Existem vários fatores, como interesses políticos, objetivos e experiências de vida, que podem estreitar a relação entre elas. 

É como a gente falou ali em cima: um jovem de “20 e poucos” pode estar buscando estabilidade financeira ao mesmo tempo em que alguém “na casa dos 60” explora novas tecnologias como um verdadeiro early adopter.

gerações

Então, na prática, os comportamentos que mais influenciam a comunicação multigeracional atravessam os baby boomers, os millennials e até os alphas (com idade igual ou inferior a 15 anos). 

Esses comportamentos nascem muito mais do repertório cultural, da relação com a tecnologia, do momento de vida e das expectativas em relação às marcas do que do ano em que alguém nasceu.

Como falar com diferentes gerações sem estereótipos

E, agora que a gente já entendeu que gerações são só uma parte pequena da história, o próximo passo é transformar isso em prática. 

Afinal, como fugir do estereótipo e conseguir se comunicar bem com as diversas gerações? Vem entender! ✍️

  • Escuta ativa e análise de comportamento: observe e estude o que as pessoas ao seu redor falam, o que criticam e o que valorizam. Além disso, fique de olho nas menções à marca e monitore a percepção de cada público sobre ela.
  • Branding claro e consistente: uma vez comunicado o posicionamento da sua marca, insista nele sem “trocar de personalidade” para falar com cada grupo de idade.
  • Linguagem contextual, não caricata: a depender do contexto, adapte o tom e o formato sem exagerar na infantilização ou na formalidade.
  • Conteúdo guiado por valor, não por idade: invista em diversidade de conteúdo – seja ele informativo, educativo, inspirador ou resolutivo, o foco deve ser o que o público gosta de consumir, independentemente da idade.
  • Diversidade de formatos e canais: teste as possibilidades e estude a recepção do seu público a textos, vídeos, e-mails, comunidades… o importante é não faltar opções estratégicas para que a audiência se relacione com a sua marca.

Por fim, não esquece que a comunicação multigeracional não mora em fórmulas prontas. Então, ajuste o caminho e o planejamento quantas vezes achar necessário.

Como pensamos comunicação entre gerações na Letra A

Por aqui, nosso time de Social Branding não parte da pergunta “qual é a geração do seu público?”, mas sim da reflexão de “quem são essas pessoas, no que elas acreditam e como elas se conectam com o mundo?”.

A partir daí, o nosso trabalho envolve a construção (ou a manutenção) do branding do seu negócio, afinal, é isso que vai firmar um posicionamento forte o suficiente para atravessar idades, plataformas e tendências sem perder coerência.

Aliado a isso, somamos uma boa curadoria cultural de conteúdo a um planejamento de social media para entender o contexto da marca e, só aí, entrar com espaço vivo de diálogo através da produção de conteúdo relevante e personalizado. 

Tudo isso acontece de forma a garantir que o tom de voz da marca seja o mesmo em todos os pontos de contato e que as relações genuínas com o público falem mais alto do que os possíveis estereótipos.

gerações

Bom, em resumo, as pessoas conseguem ser muito mais complexas (e interessantes) do que uma mera faixa etária. 

E é por isso que falar com diferentes gerações não é somente adaptar a marca a rótulos, mas comunicar com clareza e inteligência cultural para alcançar o público certo.

Então, se a sua empresa quer sair do automático e construir uma comunicação multigeracional mais humana, estratégica e conectada com pessoas de verdade, bora trocar uma ideia? Nosso time está pronto para te ajudar nessa, vem! 

Compartilhe

Sobre o autor: Aline Barbosa

Aline Barbosa é publicitária formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e trabalha há 5 anos na construção e gestão de marcas no meio digital. Atuou como liderança no Movimento Empresa Júnior e, aqui na Letra A, é Head de Social Branding. No blog, escreve sobre branding, redes sociais e presença digital.

Fale conosco