A curadoria de conteúdo virou um formato queridinho no mundo da comunicação: aquele vídeo com “5 campanhas que nos inspiraram este mês”, o carrossel que reúne “10 tendências de design para ficar de olho”… e mais alguns muitos que se acumulam na nossa pasta de “salvos”.

Mas será que tudo isso é, de fato, curadoria de conteúdo?

Na verdade, calma, permita-nos reformular a pergunta: o que, na prática, diferencia uma boa curadoria de uma simples seleção de referências?

Porque, veja bem, ter acesso à campanhas, estudos, livros, às mesmas tendências e até aos mesmos conteúdos produzidos por IA deixou de ser um grande diferencial. 

Então, o que passa a importar é o que você faz com tudo isso – a capacidade de estabelecer critérios, fazer conexões, descartar aquilo que não faz sentido e, finalmente, escolher o que merece chegar até o público em uma produção de conteúdo.

Ou seja, hoje, a curadoria de conteúdo só ganha valor quando existe um ponto de vista (confiável) por trás dela. 

E é sobre isso que vamos conversar aqui neste texto. Vem com a gente!

A banalização da palavra “curadoria”

Bom, já que vamos engatar nesse papo, podemos começar concordando: de uns tempos para cá, tudo parece ter virado “curadoria”, não é?

Curadoria de referências, curadoria de tendências, curadoria de filmes, livros, lugares, produtos, notícias, conteúdos… curadoria, curadoria, curadoria.

A palavra parece garantir, de imediato, uma dose de bom gosto a qualquer publicação que a carregue no nome. Mas não é bem assim. 

curadoria de conteúdo

Até porque, apesar de não ter nada de errado em usar o termo para uma seleção de coisas interessantes, vale lembrarmos que uma boa curadoria de conteúdo pressupõe, para além de referências, critério.

💡 Em poucas palavras: quem cura não se limita a encontrar coisas interessantes e ponto final. 

Antes de trabalhar qualquer item em uma produção de conteúdo, essa pessoa precisa filtrar, comparar e decidir o que merece ou não ganhar espaço. 

Seleção de conteúdo X Curadoria de conteúdo

Para entender ainda melhor essa diferença entre seleção e curadoria de conteúdo, imagina com a gente um cenário em que duas pessoas receberam exatamente o mesmo briefing para um post de curadoria e tiveram acesso às mesmas referências.

A primeira partiu da pergunta “o que vale a pena mostrar?”, e consumiu todas as referências para listá-las em seu conteúdo.

Já a segunda, por sua vez, se perguntou: “por que vale a pena mostrar isso, a partir do meu olhar, nesse contexto, para esse público?” 

Percebe a diferença? As duas tiveram acesso às mesmas informações, mas isso não significa que fariam as mesmas escolhas. 

Afinal, o que muda aqui é o ponto de vista sobre aquilo que foi encontrado e/ou consumido – e esse olhar mais afiado exige, claro, muito repertório e leitura de contexto.

Isso quer dizer que dá para reunir dez referências visualmente bonitas, cinco campanhas premiadas ou uma lista inteira de tendências que estão em alta.

Mas se não existe uma lógica capaz de conectar todas essas escolhas, provavelmente temos aí uma boa seleção, mas não necessariamente uma boa curadoria.

Entenda a diferença entre seleção de conteúdo e curadoria.

Em resumo, sem ponto de vista, a curadoria não carrega uma intenção, sabe? Isto é, ela deixa de revelar um jeito particular de enxergar aquele assunto e vira apenas um amontoado de referências.

E, cá entre nós, a internet já está cheia deles (!).

Acesso não é sinônimo de repertório

E falando em internet cheia… se teve uma coisa que acompanhou o aumento dos conteúdos digitais, foi a facilidade de acessá-los.

Logo no comecinho deste texto, te lembramos que, hoje, pessoas e marcas conseguem acessar praticamente as mesmas tendências, campanhas, estudos e referências.

Os efeitos desse mar de conteúdo a gente te conta agora: dados de uma pesquisa do Reuters Institute mostraram que a parcela de pessoas que evita notícias com frequência ou de vez em quando subiu de 29% para 42% em uma década.

excesso de informação

E se você pensou na saturação de informação como principal motivo dessa mudança… bingo! 

Com tanto conteúdo disponível, acesso deixou de ser sinônimo de repertório: ter mil referências salvas não significa, nem de longe, saber o que fazer com elas. 

Então, quanto mais material circula e se consome, mais valor ganha quem sabe separar o que importa do que é ruído para aquele público. 

Uma boa curadoria revela quem está por trás dela

É também por esse caminho que se constrói a autoridade das marcas e dos criadores de conteúdo.

Até porque, quando alguém confia em uma curadoria de conteúdo, está confiando no olhar de quem fez aquelas escolhas e, consequentemente:

  • em seus gostos;
  • em seu repertório;
  • em suas experiências;
  • em seus valores;
  • em seus critérios;
  • e na sua visão de mundo.

🎯 Então, ao mostrar o que escolhe, a marca comunica como enxerga determinado assunto e constrói, pouco a pouco, sua autoridade e seu posicionamento no mercado.

curadoria de conteúdo

Como fazer uma curadoria de conteúdo

Hora de colocar a mão na massa! 

Para fazer uma boa curadoria de conteúdo, te recomendamos começar por três movimentos: olhar para o seu universo de referências, filtrar esse material com critério e deixar a lógica das suas escolhas visível para quem vai receber esse conteúdo.

Depois, é só passar o resultado da sua peneira por essas perguntinhas:

  1. Por que escolhi essas referências?
  2. Por que aquilo ali ficou de fora?
  3. O que conecta todas essas escolhas?
  4. O que essa seleção revela sobre o meu olhar ou sobre a minha marca?
  5. Se alguém que não conhece minha marca consumir essa curadoria, o que vai perceber sobre quem a produziu?

Lembrando que nenhuma das respostas têm uma fórmula pronta, tá? Elas dependem muito do público da sua marca e dos assuntos pelos quais ela quer ser conhecida como referência. 

deepfakes / curadoria de conteúdo

É por isso que, aqui na Letra A, a gente enxerga a curadoria  de conteúdo como parte de um trabalho de marketing de conteúdo, parte da estratégia dos nossos times de Social Branding, Relações Públicas e Transformação Digital.

Nosso papel é transformar nosso repertório e conhecimento em estratégias de comunicação coerentes com o posicionamento da sua marca.

Vamos conversar melhor sobre o que podemos fazer pela sua comunicação? Nosso time está te esperando para um bate papo!

 

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Sobre o autor: Aline Barbosa

Aline Barbosa é publicitária formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e trabalha há 5 anos na construção e gestão de marcas no meio digital. Atuou como liderança no Movimento Empresa Júnior e, aqui na Letra A, é Head de Social Branding. No blog, escreve sobre branding, redes sociais e presença digital.

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