Neste domingo (26), o Dia dos Avós celebra o carinho e a convivência entre gerações, enquanto reforça orientações sobre cuidados com a saúde da população idosa. De acordo com um estudo realizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em 2026, cerca de 6,5 milhões de brasileiros idosos têm a autonomia comprometida, mas apenas 37,9% destes recebem algum tipo de assistência.
O levantamento também indica que as limitações aumentam com o avanço da idade. Enquanto 13,9% das pessoas entre 60 e 69 anos apresentam dificuldades funcionais, esse percentual sobe para 44,2% entre aqueles com 80 anos ou mais.
A família exerce um papel fundamental para preservar a qualidade de vida da pessoa mais velha, entretanto “cuidar não significa fazer tudo pelo idoso”, conforme explica Jamile Holanda, docente do curso de Enfermagem da Estácio. “O ideal é estimular que ele mantenha sua autonomia sempre que possível, oferecendo apoio sem retirar sua independência. Fortalecer os vínculos familiares e incentivar a convivência também faz toda a diferença, porque muitas pessoas na terceira idade acabam se isolando e acreditando que perderam seu espaço dentro da família”, pontua a profissional.
A enfermeira destaca ainda que o incentivo aos hábitos saudáveis deve ocorrer de forma natural, sem cobranças ou imposições. “Em vez de dizer que o idoso precisa fazer exercício ou mudar a alimentação, os familiares podem convidá-lo a participar de atividades em conjunto. Fazer uma caminhada, experimentar uma receita saudável ou preparar uma refeição juntos fortalece os vínculos e aumenta as chances de incorporar esses hábitos no dia a dia”, orienta.
Organização dos remédios e prevenção de quedas entre os idosos
Um dos principais pontos de atenção é a manipulação de medicamentos. Muitos idosos convivem com doenças crônicas e utilizam vários remédios diariamente, o que exige organização e acompanhamento para evitar erros. “Cada remédio possui uma forma correta de administração e um horário específico. Misturar vários comprimidos de uma só vez ou interromper um tratamento por conta própria pode comprometer os resultados e até provocar reações adversas”, ressalta a profissional.
Nesse caso, Jamile Holanda orienta que a família organize os horários dos remédios, acompanhe a rotina dos avós e mantenha uma lista atualizada das medicações para apresentar aos profissionais de saúde sempre que necessário.
A enfermeira também faz o alerta sobre os riscos de acidentes domésticos, especialmente as quedas, que estão entre as principais causas de lesões na terceira idade. “Retirar tapetes soltos, evitar pisos escorregadios, instalar barras de apoio nos banheiros, deixar os objetos de uso frequente ao alcance das mãos e manter os corredores livres de obstáculos são maneiras de manter a rotina do idoso mais segura. Também é importante que eles utilizem calçados fechados e antiderrapantes”, instrui.
Além disso, é importante ficar atento a mudanças que costumam ser atribuídas apenas ao envelhecimento, mas que podem indicar problemas de saúde. “Perda de peso sem explicação, dificuldade para caminhar ou levantar, isolamento social, irritabilidade persistente e esquecimentos frequentes não devem ser vistos como algo normal da idade. Esses sinais precisam ser avaliados por um profissional”, ressalta a docente.
Jamile destaca, por fim, que a assistência aos idosos vai além de manter uma rotina saudável. “Uma ligação durante o dia, uma visita, um passeio ou simplesmente ouvir as histórias dos avós faz com que eles se sintam importantes e pertencentes à família. Esse acolhimento influencia diretamente na autoestima, na disposição e até na vontade de cuidar da própria saúde. São gestos simples, mas que fazem toda a diferença para um envelhecimento mais saudável”, finaliza.
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