O consumo de notícias está mudando rapidamente – e quem trabalha com comunicação já percebe isso há algum tempo.

As redes sociais ganharam ainda mais espaço e os veículos tradicionais enfrentam novos desafios para manter sua relevância. Paralelamente, a inteligência artificial começou a alterar a forma como as pessoas buscam informação.

Ou seja, estamos diante de um cenário marcado por novos hábitos de consumo, mudanças nas plataformas e uma disputa cada vez maior pela atenção das pessoas. E os dados do Digital News Report 2026 (DNR 2026), além de reafirmar esses desafios, nos ajuda a entender melhor esse contexto.

À primeira vista, alguns números podem parecer alarmantes. Afinal, a confiança nas notícias caiu, mais brasileiros dizem evitar o noticiário e os modelos tradicionais de mídia continuam perdendo espaço.

Mas uma análise mais cuidadosa revela algo diferente: não estamos diante de uma crise definitiva da informação, e sim de uma reorganização do ecossistema de mídia.

Paradoxalmente, é aí que surgem as oportunidades – e, claro, as perguntas:

O que os dados revelam sobre o futuro do consumo de notícias?
Quais tendências merecem atenção das marcas?
E como construir relevância em um ambiente cada vez mais fragmentado?

Então, antes de enxergar ameaças, vale a pena se aprofundar nesses questionamentos para entender o que realmente está mudando – e o que essas mudanças podem ensinar para quem precisa se comunicar de forma mais estratégica. É o que propomos neste artigo. Boa leitura!

O consumo de notícias passa cada vez mais pelas plataformas

Se havia alguma dúvida sobre a força das redes sociais na distribuição de informação, já não existe mais. Aliás, o DNR 2026 confirma uma tendência que já vinha ganhando força nos últimos anos: as plataformas de mídia social ultrapassaram os veículos tradicionais como principal porta de entrada para o consumo de notícias.

Hoje, 53% dos brasileiros usam redes sociais como fonte semanal de informação. Já a televisão, que durante décadas ocupou essa posição com folga, caiu para 44%. Para termos uma ideia da velocidade dessa mudança, em 2013 a TV alcançava 75% da população, enquanto as redes sociais chegavam a 47%.

Mas a transformação vai além dos números. Porque o que está mudando não é apenas o canal pelo qual as pessoas recebem notícias, e sim a forma como elas as encontram.

Isto é, cada vez menos gente acessa um portal ou liga a televisão com a intenção de se informar. Em vez disso, o consumo de notícias acontece no feed, em vídeos curtos, em aplicativos de mensagens ou em plataformas de streaming.

Ademais, um terço dos brasileiros já consome notícias produzidas por criadores de conteúdo e influenciadores especializados. Isso ajuda a explicar por que formatos mais diretos, visuais e personalizados vêm ganhando tanto espaço.

Para marcas e organizações, a mensagem é clara: não basta produzir conteúdo relevante. É preciso entender onde as conversas acontecem e como fazer com que as mensagens cheguem até as pessoas nos ambientes que elas frequentam diariamente.

consumo de notícias

Menos confiança não significa menos interesse por informação

Um dos dados que mais chamou a nossa atenção nesta edição do relatório foi a queda da confiança nas notícias.

No Brasil, o índice caiu para 36%, o menor nível registrado nos últimos 12 anos e ligeiramente abaixo da média global, que ficou em 37%. Ao mesmo tempo, quase metade dos brasileiros afirma evitar notícias com frequência ou pelo menos de vez em quando.

E embora esses números possam sugerir um afastamento do público em relação à informação, a realidade é mais complexa.

Até porque o próprio relatório aponta que boa parte desse comportamento está ligada à fadiga informacional – o que chamamos de “infodemia”.

consumo de notícias

Vivemos em um ambiente marcado por polarização política, excesso de estímulos, crises sucessivas e uma sensação permanente de urgência. Portanto, em muitos casos, evitar notícias não significa desinteresse, mas uma tentativa de preservar a saúde mental.

Por outro lado, o interesse por temas que afetam diretamente a vida das pessoas continua forte. O que muda, portanto, é a expectativa em relação à forma como essas informações são apresentadas.

A inteligência artificial já está mudando o consumo de notícias

Entre todas as tendências apontadas pelo Digital News Report, talvez a mais esperada seja o avanço da inteligência artificial como intermediária da informação.

No Brasil, 13% da população já utiliza chatbots de IA semanalmente para acessar notícias – um percentual que, aliás, é superior à média global (10%).

Pode parecer pouco, mas o dado é significativo porque aponta para uma mudança na jornada de consumo.

Ou seja, pela primeira vez, uma parcela relevante dos usuários não busca informação diretamente em um veículo de comunicação nem em uma rede social. Em vez disso, recorre a ferramentas capazes de resumir conteúdos, responder perguntas e oferecer contexto adicional.

Naturalmente, esse movimento traz desafios importantes para o jornalismo, especialmente em temas como monetização, checagem e direitos autorais. Ao mesmo tempo, abre novas possibilidades para quem produz conteúdo de qualidade.

Não por acaso, já começamos a ver acordos entre empresas de tecnologia e veículos de comunicação para licenciamento de conteúdo. Recentemente, por exemplo, a OpenAI anunciou parcerias para integrar conteúdos jornalísticos da Folha de S.Paulo e do UOL ao ChatGPT.

Em outras palavras, a o centro do debate parece estar migrando da simples disputa para a busca de modelos de convivência que sejam sustentáveis para todos os envolvidos.

A atenção já está mais fragmentada – e mais segmentada

Outro ponto importante revelado pelo estudo é o avanço da segmentação das audiências.

Na prática, à medida que o consumo de notícias se distribui por diferentes plataformas, formatos e comunidades, os investimentos em publicidade acompanham esse movimento.

Em 2025, a mídia digital respondeu por 40,6% dos investimentos publicitários no Brasil, praticamente empatando com a televisão, que ficou com 41,3%.

Além disso, canais especializados, plataformas FAST e conteúdos voltados para nichos específicos vêm conquistando espaço na disputa pela atenção do público.

Isso significa que estratégias baseadas apenas em alcance massivo tendem a perder eficiência. Hoje, compreender quais comunidades queremos atingir, quais formatos geram mais engajamento e quais narrativas fortalecem relacionamentos duradouros tornou-se muito mais importante.

estética do improviso / consumo de notícias

O que esses dados ensinam para marcas e organizações?

Talvez a principal lição do DNR 2026 seja que relevância e visibilidade já não são exatamente a mesma coisa.

Durante muito tempo, estar presente era suficiente. Hoje, construir confiança exige consistência, capacidade de diálogo e uma compreensão mais profunda dos diferentes públicos.

Por isso, destacamos alguns insights essenciais:

  • Estar presente em múltiplos canais deixou de ser diferencial e passou a ser requisito básico. 💡
  • O mesmo conteúdo precisa ser adaptado para diferentes formatos, plataformas e contextos de consumo. 💡
  • Autoridade é construída ao longo do tempo, por meio de relacionamento e credibilidade, e não apenas por campanhas de grande alcance. 💡

Além disso, o crescimento dos criadores de conteúdo ressalta algo importante: as pessoas valorizam proximidade, autenticidade e uma linguagem que faça sentido para o seu cotidiano.

Isso não significa abrir mão do rigor ou da qualidade da informação. Significa encontrar formas mais humanas de estabelecer conexões.

O papel da comunicação estratégica nesse cenário

Ao contrário do que algumas leituras mais apressadas podem sugerir, os dados do relatório não apontam para o fim do jornalismo, do consumo de notícias, nem para uma perda de importância da comunicação institucional.

O que eles mostram é que o ambiente informacional está se tornando mais complexo. E, justamente por isso, cresce a necessidade de organizações capazes de traduzir contextos em narrativas consistentes capazes de fortalecer relacionamentos de longo prazo.

Na Letra A, acompanhamos essas transformações de perto, há quase 30 anos, porque acreditamos que tendências não devem ser observadas apenas como ameaças ou riscos. Elas também revelam oportunidades para inovar, fortalecer reputações e criar conexões mais relevantes com diferentes públicos.

Nesse sentido, desenvolvemos estratégias que unem Social Branding, Relações Públicas e Transformação Digital para ajudar empresas, instituições e lideranças em um cenário que continua mudando rapidamente.

excesso de informação

Como sua organização está se preparando para as mudanças no consumo de notícias?

As transformações apontadas pelo Digital News Report já estão acontecendo. A questão não é se elas vão impactar sua comunicação, mas como sua organização vai responder a elas.

Então, se você quer fortalecer sua presença digital, ampliar sua autoridade e construir relacionamentos mais sólidos com seus públicos, nós podemos ajudar. Clique aqui e descubra como transformar essas mudanças em oportunidades de inovação para a sua marca.

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Sobre o autor: Carla Cruz

Jornalista com pós-graduação em Propaganda e Marketing na Gestão de Marcas pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Carla Cruz tem mais de 15 anos de experiência em assessoria de comunicação e marketing. Atuou em grandes empresas do setor público, da iniciativa privada e do terceiro setor. Na Letra A, é Head de Transformação Digital e fala sobre presença digital.

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