O empreendedorismo tem ganhado maior espaço entre os jovens brasileiros. De acordo com análise do Sebrae, com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADc) do IBGE, o número de pessoas entre 18 e 29 anos à frente de negócios cresceu 25% em 12 anos. Em 2012, eram cerca de 3,9 milhões de jovens empreendedores. Já no fim de 2024, o número chegou a 4,9 milhões.
O levantamento também mostrou que o rendimento médio desse público alcançou, em 2024, o maior valor da série histórica: R$ 2.567. A remuneração vem crescendo em ritmo acelerado desde 2021, com um aumento de 25,4% entre os dois anos.
Para César Barreto, docente de Administração da Estácio, o crescimento do empreendedorismo está relacionado a mudanças na forma como os jovens enxergam o trabalho e as possibilidades de carreira. “No passado, construir carreira dentro de uma única empresa era o caminho esperado. Hoje, poucos acreditam que permanecerão décadas na mesma organização. Essa percepção mudou completamente a relação dos jovens com o mercado”, explica.
O acesso à informação e às ferramentas digitais também contribuem para tornar o empreendedorismo uma alternativa mais acessível. Dependendo da atividade, atualmente é possível iniciar um negócio com uma estrutura reduzida, utilizando computador, internet e plataformas digitais para divulgar serviços e alcançar clientes.
Para o docente, no entanto, a facilidade para começar não significa que empreender seja simples. “Abrir um negócio realmente ficou mais fácil. Permanecer competitivo continua sendo difícil. Quem entra no mercado encontra concorrentes experientes, clientes cada vez mais exigentes e margens frequentemente apertadas. O entusiasmo é importante, mas não substitui planejamento, disciplina e capacidade de execução”, afirma.
Empreendedorismo também é sobre aprender na prática
Mais do que abrir uma empresa, empreender envolve transformar uma ideia em uma solução capaz de atender a uma necessidade real e gerar resultados de uma forma constante. De acordo com César Barreto, o empreendedor precisa desenvolver competências que vão além do conhecimento técnico da própria área de atuação, como entender de finanças, gestão de pessoas, negociação, marketing, vendas, planejamento e processos.
Ainda segundo ele, um dos principais desafios para quem está começando é investir antes de validar. “É muito comum ver alguém apaixonado pela própria ideia, desenvolver um produto, criar uma marca, contratar fornecedores e só depois descobrir se existe alguém disposto a pagar por aquilo. Quando isso acontece, o prejuízo pode ser grande”, alerta.
Nesse cenário, iniciativas voltadas à formação e ao acompanhamento de novos empreendedores podem contribuir para transformar conhecimento em prática. É o caso do projeto Mulheres Empreendedoras Empoderadas (MEE), da Estácio, que busca apoiar mulheres em seus empreendimentos por meio de uma abordagem multidisciplinar. Em Natal, as ações envolvem cursos das áreas de Gestão, Ciências Jurídicas, Saúde e Economia Criativa, além de formação coletiva, rodas de conversa, orientações individuais e acompanhamento contínuo, combinando capacitação técnica e desenvolvimento emocional.
Outra iniciativa é o Núcleo de Apoio Contábil e Fiscal (NAF), programa de cidadania fiscal desenvolvido em parceria com a Receita Federal, que aproxima os estudantes da prática profissional ao mesmo tempo em que oferece serviços contábeis e fiscais gratuitos a pessoas físicas de baixa renda. A iniciativa permite que os alunos apliquem os conhecimentos adquiridos em sala de aula em situações reais de atendimento. Segundo a Receita Federal, existem mais de 300 núcleos formalizados no Brasil e mais de 200 em 11 países da América Latina, que adotaram o modelo brasileiro como referência.
Para César, iniciativas como essa têm um papel importante ao permitir que jovens aprendam com os erros em um ambiente seguro e desenvolvam maior preparo para a vida profissional. Ele destaca ainda que, “ao lidar com clientes reais, prazos e demandas concretas, os alunos deixam de trabalhar apenas com estudos de caso e passam a vivenciar na prática os desafios da profissão, o que transforma sua forma de enxergar o trabalho”.
Compartilhe
Nossos clientes
















































