Escolher um nome para uma empresa, produto ou serviço parece, à primeira vista, uma tarefa [apenas] criativa. E, convenhamos, é uma missão que exige, sim, uma boa dose de criatividade. Mas a verdade é que naming não se resume a encontrar uma palavra “bonita” ou uma combinação delas que “soa bem”.

Quando conduzido de forma profissional, esse processo envolve estratégia, pesquisa, repertório e uma leitura cuidadosa do universo da marca.

Afinal, o nome será uma das primeiras manifestações da sua identidade. Ele pode influenciar a percepção do público, contribuir para a diferenciação e criar associações que a acompanham por anos.

Então, antes de perguntar “qual nome escolher?”, vale perguntar: que marca queremos construir e que espaço esse nome precisa ocupar dentro dela?

Esse é o tema do nosso papo de hoje. Boa leitura!

Antes de tudo, o que é naming?

É o trabalho de criação e desenvolvimento de nomes para marcas, empresas, produtos, serviços ou projetos. Ele geralmente integra um processo maior – o branding – e combina investigação, análise estratégica e criatividade para chegar a alternativas que façam sentido dentro de determinado contexto.

💡 Ou seja, a diferença entre naming e o simples ato de nomear está no que sustenta a decisão.

Imagine, por exemplo, uma empresa de tecnologia que pretende se posicionar como acessível e descomplicada. Um nome excessivamente técnico pode criar uma percepção incompatível com essa proposta. Da mesma forma, uma marca que deseja atuar em diferentes mercados pode enfrentar limitações se escolher um nome muito ligado a um único produto ou território.

Portanto, precisa considerar tanto o presente quanto os possíveis caminhos futuros da marca.

rebranding / naming

Além disso, existe uma dimensão subjetiva importante. Criar nomes exige repertório linguístico, curiosidade e capacidade de fazer associações. Porém, também exige saber ouvir, interpretar e fazer perguntas.

E é aí que entram algumas soft skills fundamentais nesse processo.

Tudo começa antes da criação

A etapa de criação costuma ser a parte mais visível de uma estratégia de naming. Porque é quando surgem palavras, combinações, conceitos e possibilidades. Entretanto, uma boa criação começa muito antes disso.

Primeiro, é preciso mergulhar no universo que se pretende investigar. Essa imersão envolve compreender o negócio, ouvir as pessoas envolvidas e identificar aquilo que nem sempre aparece em um briefing.

Para tanto, algumas habilidades comportamentais fazem [toda] diferença:

  • escuta ativa, para captar informações além das respostas mais óbvias;
  • curiosidade, para investigar contextos, histórias e referências;
  • sensibilidade, para perceber nuances culturais e simbólicas;
  • capacidade de síntese, para transformar muitas informações em direcionamentos claros;
  • flexibilidade, para revisar hipóteses diante de novos dados;
  • repertório, para estabelecer conexões entre palavras, conceitos e diferentes universos;
  • pensamento associativo, essencial para encontrar caminhos criativos inesperados.

Além disso, o profissional precisa lidar com diferentes perspectivas – fundadores, gestores, equipes, consumidores e parceiros podem enxergar a mesma marca de maneiras distintas.

Assim, a imersão não serve apenas para “entender o negócio”. Ela ajuda a descobrir qual história o nome precisa começar a contar.

Naming e branding: qual é a relação?

Um nome não existe isoladamente. Como vimos anteriormente, ele faz parte de um sistema maior de branding, que envolve todas as escolhas responsáveis por construir a percepção de uma marca.

Portanto, deve conversar com o propósito, o público e a personalidade da empresa. Esse posicionamento ajuda a definir quais associações são desejáveis e quais podem afastar a marca da percepção pretendida.

Também precisa considerar seus territórios conceituais e sua identidade verbal e visual. Tipografia, cores, linguagem, narrativa e experiências podem ampliar ou transformar as associações inicialmente provocadas pelo nome.

Por isso, uma boa pergunta durante o processo não é apenas “esse nome é bom?”. É:

“Esse nome é bom para esta marca, neste momento e para os caminhos que ela pretende construir?”

Essa mudança de perspectiva transforma completamente a discussão.

IA no conteúdo / branding / naming

O que está por trás de um bom nome?

Não existe uma fórmula universal para criar um bom nome. Ainda assim, alguns critérios ajudam a orientar a análise de diferentes alternativas de naming.

A relevância estratégica é um deles. O nome precisa fazer sentido diante dos objetivos e do posicionamento da marca. Ao mesmo tempo, é necessário ter diferenciação: uma escolha muito próxima de concorrentes pode dificultar o reconhecimento.

A memorabilidade também merece atenção. Isto é, nomes fáceis de lembrar tendem a facilitar conversas, buscas e recomendações.

Outro aspecto envolve as associações e significados. Afinal, a palavra pode carregar referências culturais, históricas ou linguísticas que interferem na percepção da marca.

Além disso, vale pensar na flexibilidade. O nome continuará funcionando se a empresa ampliar o seu portfólio? E se entrar em outro mercado?

Também vale considerar questões culturais, linguísticas, jurídicas e digitais. Um nome pode parecer excelente no papel, mas apresentar problemas de registro, domínio, redes sociais ou interpretação em outro contexto.

Portanto, esses critérios não funcionam como uma lista de aprovação automática. Eles servem para construir uma análise mais consistente e adequada à estratégia de marca.

Naming na prática: como funciona?

O naming pode assumir formatos diferentes, conforme o projeto. De maneira geral, porém, existe uma sequência de etapas que ajuda a organizar o trabalho:


imersão → estratégia → pesquisa → definição de territórios → criação → validação → verificações jurídicas e digitais.


  1. A imersão busca compreender o negócio, seus públicos, sua história e seus objetivos.
  2. Depois, a estratégia transforma essas informações em direcionamentos para a criação.
  3. Na sequência, a pesquisa amplia o repertório e ajuda a identificar referências, concorrentes e oportunidades.
  4. A partir daí, podem surgir territórios: campos conceituais que orientam a geração de nomes.
  5. Só então partimos para a criação, entendendo que criatividade é, antes de tudo, encontrar conexões relevantes a partir de um problema bem compreendido.
  6. Depois da criação, começa outro trabalho importante: selecionar, comparar e testar alternativas. Um nome pode parecer brilhante isoladamente e perder força quando colocado lado a lado com outras possibilidades.
  7. Por fim, entram as verificações jurídicas e digitais. Elas não garantem, sozinhas, que um nome seja estratégico. Mas são essenciais para entender a sua viabilidade.

estética do improviso

Que tipos de nomes uma marca pode ter?

A resposta mais curta seria: tantos quantos a personalidade e a estratégia da marca permitirem. Mas a gente sabe que as possibilidades são bastante amplas. Então, para organizar essa diversidade, listamos abaixo alguns dos caminhos mais comuns:

  • descritivos, que indicam diretamente o que a empresa, produto ou serviço oferece;
  • sugestivos ou evocativos, que criam associações sem explicar literalmente a atividade;
  • abstratos, construídos a partir de conceitos ou sonoridades sem significado literal;
  • neologismos, formados por combinações ou construções linguísticas originais;
  • nomes próprios, associados a pessoas ou sobrenomes;
  • acrônimos, criados a partir de iniciais ou partes de outras palavras;
  • combinações, que unem termos para formar uma nova expressão.

O importante aqui é saber que ✨nenhuma dessas categorias é melhor em termos absolutos✨.

Uma empresa pode escolher um nome descritivo, por exemplo, porque precisa facilitar a compreensão imediata. Outra pode preferir um nome evocativo porque deseja construir um universo simbólico mais amplo.

Aliás, você sabia que o nome da Amazon tem a ver com o Rio Amazonas?

logo antigo da Amazon

A gigante nasceu, em 1994, como uma livraria online chamada Cadabra. O nome, no entanto, não foi bem recebido e durou pouco.

Em a busca por uma nova opção, Jeff Bezos chegou ao nome “Amazon”, inspirado no rio de mesmo nome. A ideia, segundo a empresa, era associar a dimensão e a diversidade do Rio Amazonas à ambição de construir uma livraria com o maior catálogo possível. Além disso, o nome começava com a letra A, uma característica relevante em uma época em que mecanismos de busca organizavam resultados em ordem alfabética.

Um bom nome precisa explicar o que a empresa faz?

Essa é uma das perguntas mais recorrentes em projetos de naming. E a resposta é: não necessariamente.

Um nome pode ajudar o público a compreender imediatamente uma oferta. Porém, ele também funciona como um convite à construção de sentido a partir de um campo de associações que pode, inclusive, ganhar novos significados conforme a marca se desenvolve (foi o caso da Amazon, por exemplo).

O significado surge, então, da combinação entre nome, identidade visual, comunicação, produto e experiência.

Por outro lado, nomes descritivos têm vantagens. Eles podem facilitar a compreensão inicial e comunicar rapidamente uma categoria ou benefício. O problema surge quando essa clareza reduz a diferenciação ou limita futuras expansões.

Assim, a questão não é escolher entre “explicar” ou “não explicar”. O ponto central é entender quanto significado o nome precisa carregar e quanto significado a marca poderá construir ao longo do tempo.

O nome não faz a marca sozinho

Um bom naming é um ponto de partida, não uma solução completa.

Depois do nome, vêm a identidade visual, a linguagem, os produtos, os serviços, os canais, as experiências e os relacionamentos. Cada uma dessas dimensões contribui para construir a percepção da marca.

Isso quer dizer que um nome inicialmente desconhecido pode adquirir enorme valor ao longo do tempo. Da mesma forma, um nome excelente pode perder força quando a experiência oferecida pela empresa contradiz aquilo que sua comunicação promete.

consumo de notícias / naming

Ou seja, o branding não termina quando o nome é escolhido. Na verdade, é a partir daí que começa o trabalho de atribuir significado àquela palavra.

Resumindo: o nome chega ao mercado com uma história ainda incompleta. A marca, por meio de suas escolhas e experiências, preenche esse espaço.

E é por tudo isso que um profissional especializado combina método e criatividade. Porque entende que naming é criar espaço para a marca crescer.

Fale com a Letra A e descubra como podemos ajudar sua empresa a transformar posicionamento, identidade e estratégia em uma marca única, do nome à experiência.

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Sobre o autor: Carla Cruz

Jornalista com pós-graduação em Propaganda e Marketing na Gestão de Marcas pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Carla Cruz tem mais de 15 anos de experiência em assessoria de comunicação e marketing. Atuou em grandes empresas do setor público, da iniciativa privada e do terceiro setor. Na Letra A, é Head de Transformação Digital e fala sobre presença digital.

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