A realização de cirurgias de neovaginoplastia no Rio Grande do Norte foi um dos temas debatidos no primeiro dia da 37ª Jornada de Ginecologia e Obstetrícia do RN, evento promovido pela Associação de Ginecologia e Obstetrícia do RN (SOGORN) realizado em Natal, nesta semana. O procedimento consiste na criação ou reconstrução da cavidade vaginal em mulheres cisgênero que nasceram com alterações genéticas ou sofreram traumas, e tem sido realizado com exclusividade na Maternidade Escola Januário Cicco (MEJC), referência na área.
Embora a técnica seja mais conhecida por integrar o processo de transição de gênero em pessoas trans, no contexto da maternidade potiguar ela atende principalmente mulheres com síndromes genéticas raras, como Rokitansky e Morris. Desde 2015, o médico ginecologista Josair Mesquita conduz esse trabalho, já tendo realizado 28 cirurgias nos últimos dez anos.
“Percebemos que havia uma demanda não atendida por esse tipo de procedimento no estado. Fui buscar formação específica e, desde então, passamos a oferecer essa alternativa para mulheres que não tinham sequer onde buscar ajuda”, explica o médico.
Na MEJC, as pacientes são atendidas por encaminhamento via regulação do SUS e passam por uma equipe multidisciplinar, com ginecologistas, psicólogos, fisioterapeutas e nutricionistas. “A cirurgia é só uma etapa. Antes disso, a paciente passa por uma avaliação completa, e depois continua sendo acompanhada. Como são alterações genéticas, como no caso da síndrome de Morris, há também necessidade de reposição hormonal, além de apoio psicológico e fisioterapêutico”, detalha o especialista.
O objetivo do procedimento é devolver qualidade de vida e autonomia corporal a essas mulheres. A reconstrução permite que a paciente tenha uma vida sexual ativa e saudável, com impacto direto na autoestima e no bem-estar emocional.
Josair Mesquita defende que, para muitas mulheres, essa é a única porta de acesso a esse tipo de atendimento especializado. “É um trabalho silencioso, mas muito importante. Para essas pacientes, significa poder viver plenamente sua identidade, com saúde e dignidade”, reforça o médico.
Durante a abertura do evento, o presidente da Sogorn, Dr. Robinson Dias, destacou a importância de trazer à tona debates como esse em um evento científico.
“A Jornada é um espaço fundamental para atualizar e qualificar os profissionais que atuam no estado. Trazer experiências contribui para ampliar o conhecimento, valorizar a prática local e, principalmente, inspirar outros serviços a oferecerem um cuidado mais completo às mulheres”, finaliza o presidente.
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