Quando se fala no planejamento de uma gravidez, a atenção costuma estar voltada para a saúde da mulher, mas a ciência tem mostrado que o papel do pai começa antes mesmo da concepção. De acordo com o estudo “O papel paterno na biologia da gravidez e no resultado do parto”, publicado na revista National Center for Biotechnology Information, condições que impactam a saúde reprodutiva masculina, como a obesidade, estão relacionadas a um risco aumentado de parto prematuro e recém-nascidos pequenos para a idade gestacional.
Os pesquisadores também observaram uma maior incidência de asma, anemia, obesidade na adolescência, cáries dentárias e doença mão-pé-boca entre filhos de pais obesos. Segundo Elmir Andrade, coordenador do curso de Educação Física da Estácio, o excesso de peso pode comprometer a saúde reprodutiva masculina ao favorecer alterações hormonais e prejudicar a produção de espermatozoides saudáveis.
“A saúde física, metabólica e o estilo de vida do homem nos três a quatro meses anteriores à concepção impactam diretamente a integridade do material genético do espermatozoide. Assim, os hábitos do pai influenciam não apenas a probabilidade de engravidar, mas também a saúde futura da criança”, explica.
A alimentação também exerce papel fundamental nesse processo. “Sem os nutrientes adequados, o homem produz espermatozoides com baixa mobilidade, formatos anormais e material genético fragmentado”, completa o nutricionista Rodrigo Rüegg.
Ainda de acordo com ele, nutrientes como zinco, selênio, ômega-3, vitamina B9 e antioxidantes são importantes para a espermatogênese e podem ser obtidos por meio de uma alimentação equilibrada.
O nutricionista alerta, porém, que suplementos vitamínicos não substituem hábitos saudáveis. “Suplemento em pílula não previne e nem resolve a infertilidade masculina. A ideia de que tomar um complexo vitamínico vai garantir a qualidade do esperma enquanto o homem mantém uma dieta de baixa qualidade, consome álcool ou está acima do peso é uma ilusão perigosa. O benefício vem da comida de verdade e do estilo de vida, não de cápsulas”.
O profissional de Educação Física, Elmir Andrade, também adverte sobre o uso excessivo de esteróides anabolizantes, que pode comprometer a fertilidade masculina. Segundo ele, essas substâncias reduzem a produção natural de testosterona e podem afetar o funcionamento dos testículos, diminuindo ou até interrompendo a produção de espermatozoides.
Saúde reprodutiva masculina: como se preparar para a paternidade
Para quem pretende ser pai, a recomendação é começar as mudanças de hábitos ainda antes da concepção. O nutricionista Rodrigo Rüegg explica que reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados e de bebidas alcoólicas é um dos primeiros passos para preservar a saúde reprodutiva masculina. Segundo ele, os ultraprocessados favorecem processos inflamatórios e o estresse oxidativo, que comprometem a qualidade dos espermatozoides, enquanto o álcool afeta diretamente as células responsáveis pela produção de testosterona e pela formação do esperma.
Na prática, o nutricionista orienta priorizar uma alimentação baseada em vegetais, leguminosas, grãos integrais, peixes e azeite extravirgem, além de manter uma boa hidratação, evitar o cigarro e dar preferência ao armazenamento e aquecimento dos alimentos em recipientes adequados, em vez de plásticos que não são próprios para altas temperaturas.
A prática regular de exercícios físicos também faz parte dessa preparação. De acordo com Elmir Andrade, atividades de força e exercícios cardiovasculares estimulam a produção natural de testosterona, ajudam a controlar o estresse oxidativo e favorecem o equilíbrio hormonal, fatores que contribuem para a produção de espermatozoides mais saudáveis.
Além dos benefícios para a fertilidade, o especialista destaca que um estilo de vida ativo prepara o homem para os desafios da própria paternidade. “Ser pai exige energia e presença. A prática regular de exercícios proporciona mais disposição, melhora a saúde mental, ajuda no controle do estresse e contribui para uma longevidade com qualidade, além de servir de exemplo de comportamento saudável para os filhos”, conclui.
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